Brasília, 13 de Dezembro de 2025 - 4:18

A NOVA FRONTEIRA DA PUBLICIDADE É VERDADE

A NOVA FRONTEIRA DA PUBLICIDADE É VERDADE

A COP30, que acontece em novembro de 2025, em Belém (PA), promete provocar uma reconfiguração profunda na forma como o mercado publicitário aborda sustentabilidade e propósito. Com o Brasil no centro do debate climático mundial, cresce a pressão para que marcas e agências alinhem discurso e prática, fazendo da comunicação um vetor de mudança real e não apenas de posicionamento.

De acordo com Larissa Ferrari, Diretora de Planejamento e Mídia da agência Octopus, o evento deve marcar o início de uma “nova era da comunicação verde”, em que o marketing de impacto socioambiental e o storytelling regenerativo assumem protagonismo. “A COP30 será o divisor de águas entre quem comunica sustentabilidade e quem realmente vive a sustentabilidade”, afirma.

Segundo a publicitária, o movimento inaugura um novo paradigma de mensuração e accountability no setor, e não só uma representação de tendência estética ou narrativa, pois campanhas e ações de mídia passam a medir impacto ambiental e social com a mesma relevância antes reservada às métricas tradicionais de performance. “Estamos vendo o surgimento de uma publicidade carbono neutro, em que desde a produção audiovisual até a distribuição digital são pensadas para reduzir ou compensar emissões”, explica.

A mudança, de acordo com a executiva, é também comportamental. O consumidor pós-COP30 exigirá autenticidade, coerência e transparência nas narrativas de marca. O greenwashing, prática de comunicação enganosa que tenta se apropriar de causas ambientais sem comprovação, perde espaço rapidamente. “Não basta dizer que é sustentável, é preciso mostrar o como. O público quer coerência e, principalmente, continuidade”, complementa.

Nesse novo cenário, a comunicação assume um papel educativo, aproximando o debate climático da sociedade de forma criativa, inclusiva e acessível. A valorização de narrativas regionais e culturais, sobretudo da Amazônia e dos povos originários, tende a inspirar campanhas que conectem identidade brasileira e preservação ambiental, transformando diversidade em ativo de marca.

Para Larissa, o desafio agora é estrutural. “O mercado precisa revisitar seus próprios conceitos de impacto. Comunicação sustentável não é apenas falar sobre o meio ambiente, é repensar a forma de produzir, consumir mídia e gerar valor social. Esse é o momento de as marcas compreenderem que propósito é estratégia, e não tendência”.

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