Brasília, 25 de Janeiro de 2026 - 3:20

GOVERNO AUMENTA AÇÕES COM INFLUENCERS, MAS NÃO RECONHECE OS CRIADORES

GOVERNO AUMENTA AÇÕES COM INFLUENCERS, MAS NÃO RECONHECE OS CRIADORES

O Governo Federal vem aumentando o número de ações com influenciadores, segundo estudo publicado pelo centro de pesquisas Reglab, especializado em mídia, tecnologia e regulação. Mas isso não significa que o governo reconheça oficialmente a atividade profissional dos criadores de conteúdo.

Os influencers têm sido cada vez mais utilizados como parte de uma estratégia de governo, mas ainda não têm uma ‘política de Estado’ própria, no sentido de serem reconhecidos como agentes socioeconômicos e de terem direitos e obrigações bem estabelecidos”, diz o diretor-executivo do Reglab, Pedro Henrique Ramos.

O levantamento foi feito a partir de publicações no Diário Oficial da União e no portal Gov.Br entre 2018 e 2025, e contemplou ações diretas com influenciadores, como programas, campanhas e medidas voltadas para criadores de conteúdo. Quase metade das ações analisadas foram casos de envolvimento de influenciadores para divulgação de campanhas institucionais de comunicação.

O estudo mostra que o Executivo Federal expandiu as ações envolvendo influenciadores a partir de 2023, que passaram a ser realizadas por maior número de órgãos do governo. Esse movimento acelerou a partir de 2024, quando o uso de criadores digitais para campanhas do governo passou a ser mais coordenado, e bateu recorde em 2025, na gestão de Sidônio Palmeira na Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República).

Até o momento, contudo, não existe um código CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) para atividades de influencers, o que poderia ser um primeiro passo para criação de políticas públicas na esfera tributária.

Segundo Ramos, do REgLab, ainda assim, o cenário no governo Executivo é diferente, por exemplo, da forma como os influenciadores são vistos pelo Legislativo Federal.

Outro estudo lançado pelo Reglab em outubro mostrou que o Congresso costuma retratar os criadores de conteúdo somente sob a perspectiva dos riscos. “No Executivo, o próprio uso de influenciadores para comunicação oficial no ambiente digital já indica um olhar diferente daquele do Legislativo”, diz.

Um exemplo citado no estudo é a criação e uso de perfis digitais do personagem Zé Gotinha para divulgação de campanhas de saúde. O caso indica que o governo federal compreendeu e incorporou a lógica de atuação dos influenciadores para fazer sua comunicação.

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