Brasília, 23 de Janeiro de 2026 - 22:22

A IA VAI SUBSTITUIR O CRIATIVO OU POTENCIALIZAR A PUBLICIDADE?

A IA VAI SUBSTITUIR O CRIATIVO OU POTENCIALIZAR A PUBLICIDADE?

A Inteligência Artificial está mudando a publicidade, mas será que ela vai gerar campanhas mais criativas ou aumentar a produção de ações genéricas? Para Maicon Dias, especialista em neurociência, comportamento e marketing, a questão não é sobre substituição de funções, mas sobre como a IA é usada.

“Ela pode acelerar funções repetitivas, mas usá-la apenas para gerar textos, imagens e vídeos é uma visão superficial. A IA pode otimizar processos e criar soluções inovadoras que antes seriam caras ou impossíveis de realizar, mas muitos estão usando-a para gerar mais volume de conteúdo e campanhas sem pensar no valor real que ela pode agregar”, afirma Maicon, CEO da Gampi Casa Criativa.

O especialista observa que, ao ser mal utilizada, a IA contribui para uma saturação de conteúdo sem relevância. “Muitas campanhas são apenas cópias, vazias e sem essência. Isso acontece porque a IA é usada para replicar o que já existe, em vez de ser explorada para criar algo novo e impactante.”

Para Maicon, a IA pode nivelar o jogo, mas de uma forma que prejudica a publicidade criativa. “Os bons profissionais são aqueles que usam a IA para potencializar sua criatividade, não para repetir padrões.”

E quanto aos briefings mal formulados, Maicon é direto: “A IA não vai corrigir um processo falho. Um mau direcionamento continuará sendo um mau processo. Ela não pode consertar a falta de diálogo e a desconexão com o consumidor e sua cultura.”

A IA deve ser vista como uma aliada estratégica, não uma substituta da criatividade. “Ela acelera a avaliação de ideias e permite que o que antes era impensável se torne realidade. A verdadeira transformação vem de como a usamos para otimizar a criação e a exploração de ideias, não para simplesmente seguir padrões”, explica.

Além disso, com o aumento do “burnout informativo” dos consumidores, Maicon alerta: “Os consumidores estão saturados de histórias repetidas com novas roupagens. O que terá valor é a criatividade genuína e original, que se conecta de forma profunda e valoriza o posicionamento da marca. A IA pode ser uma grande aliada, mas deve ser usada de maneira inteligente para evitar o risco de a comunicação se tornar apenas mais um ruído.”

Por fim, Maicon conclui: “No futuro, quem se destacar será aquele que souber usar a IA para agilizar a criatividade, sem perder a originalidade. O humano, com sua visão única, sempre terá um papel central. A IA vai potencializar, mas não substituir a criatividade humana.”

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