Brasília, 13 de Dezembro de 2025 - 6:36

EXERCENDO INFLUÊNCIA EM UM MUNDO GLOBALIZADO

EXERCENDO INFLUÊNCIA EM UM MUNDO GLOBALIZADO

Por Rogério Artoni* 

Uma pesquisa global inédita revela caminhos distintos para que marcas e empresas conquistem influência na América Latina, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Esse tema foi investigado pelo estudo Influence Insights, realizado pela Public Relations Global Network (PRGN), a partir de entrevistas com líderes empresariais de 40 países. O estudo revela que, embora a influência seja unanimemente reconhecida como estratégica 89% dos executivos a consideram essencial para o sucesso de suas empresas, o caminho para conquistá-la muda conforme o contexto cultural. 

Em um cenário de transformações profundas, a influência corporativa se consolidou como um ativo essencial para marcas e organizações. Ser influente hoje significa ser capaz de inspirar, conectar e mobilizar pessoas em meio à volatilidade das relações e à sobrecarga informacional. Mas a pergunta central é: o que torna uma marca influente em um mundo tão diverso? 

A pesquisa revelou que, na América Latina, confiança e valores sociais têm peso determinante. A região aparece 15 pontos acima da média global na importância atribuída a valores culturais e sociais e 18 pontos acima em relevância de temas ESG. Isso significa que marcas estrangeiras que desejam expandir sua presença no Brasil e na região precisam mais do que traduzir campanhas: devem traduzir significados. Elas são melhor percebidas quando valorizam pessoas, autenticidade e propósito, e quando seus próprios colaboradores se tornam porta-vozes da marca um ativo que 71% dos líderes latino-americanos consideram de alto impacto. 

Já quando empresas brasileiras desejam ser ouvidas lá fora, o desafio é outro. Nos Estados Unidos, a influência está fortemente associada à capacidade de estabelecer diálogo direto com o consumidor por meio do digital, e de construir thought leadership ou seja, líderes que contribuem para o debate público e pautam a agenda de seu setor. Já na Europa, predomina o equilíbrio entre propósito e performance: o discurso de sustentabilidade é valorizado, mas a coerência é o que gera credibilidade. Enquanto isso, na Ásia, hierarquia e racionalidade prevalecem a comunicação lá precisa privilegiar tecnologia, qualidade e inovação, mais do que narrativas emocionais. 

O estudo reforça que a influência é, ao mesmo tempo, um meio e um fim: uma via para crescimento e um indicador de maturidade corporativa. À medida que empresas se tornam mais conscientes de sua responsabilidade social e comunicacional, ser influente deixa de ser uma questão de visibilidade e passa a ser uma questão de relevância. O mundo mudou e as marcas que entenderem a diferença estarão mais preparadas para liderar com propósito e impacto.

Rogério Artoni é jornalista, fundador e CEO da Race Comunicação. 

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