O drama vivido pela personagem Lígia, interpretada por Dira Paes na novela “Três Graças”, expõe uma realidade que afeta milhões de pessoas fora da ficção o risco de consumo de medicamentos falsificados. Na trama, a personagem sofre de hipertensão arterial pulmonar, doença grave e rara, e tem seu quadro de saúde agravado ao descobrir que os remédios que vinha tomando não eram originais. O enredo chama a atenção para um problema global e reforça a importância de saber a origem e a autenticidade dos medicamentos, desde a fabricação até o momento em que chegam às mãos dos pacientes.
Nesse contexto, o código de identificação específico para o setor da saúde e que é reconhecido mundialmente pelos sistemas de automação é o GS1 Datamatrix. Ele é uma ferramenta fundamental para garantir a segurança e a rastreabilidade de produtos como, por exemplo, insumos, medicamentos e instrumentos cirúrgicos. Diferente dos códigos de barras tradicionais, o GS1 Datamatrix é um código bidimensional (2D), capaz de armazenar uma grande quantidade de informações. Quando aplicado em embalagens de medicamentos, o GS1 Datamatrix permite identificar de forma única cada item para garantir transparência, autenticidade e controle em toda a cadeia logística do fabricante à farmácia, do hospital ao paciente.
Entre as informações que podem ser acessadas estão na leitura do código estão o lote, a data de validade, o fabricante e até o caminho percorrido pelo produto. Isso possibilita uma rastreabilidade completa, que ajuda autoridades e empresas a detectarem fraudes, coibir o contrabando e evitar que produtos sem procedência cheguem ao mercado.
Hospitais de referência no país como o Hospital Israelita Albert Einstein, o Sírio-Libanês, a Beneficência Portuguesa e o Hospital das Clínicas de São Paulo, já utilizam o padrão GS1 para rastrear medicamentos e dispositivos médicos. Como principais benefícios as instituições têm ganho em segurança e redução de riscos de erros e falsificações. O uso do GS1 Datamatrix também facilita o controle de estoques e a gestão hospitalar, garantindo que apenas medicamentos legítimos e dentro da validade sejam administrados no momento certo, ao paciente certo, na hora certa e pela via certa.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, João Carlos de Oliveira, a padronização é uma aliada essencial da saúde pública. “O QR Code Padrão GS1 oferece transparência e confiança. Ele permite que todos os elos da cadeia fabricantes, distribuidores, profissionais de saúde e consumidores saibam exatamente a origem do medicamento e tenham a certeza de que estão diante de um produto autêntico e seguro”, destaca Oliveira.
O avanço da rastreabilidade e da padronização global é uma das principais estratégias no combate à falsificação e ao contrabando de medicamentos, práticas que colocam vidas em risco e afetam a credibilidade do setor farmacêutico. Assim como na ficção, garantir que cada medicamento seja verdadeiro e rastreável é uma medida que salva vidas na vida real.






