A chamada geração Z, formada por jovens nascidos entre 1995 e 2010, representa mais de 10% dos 214 milhões de habitantes do Brasil, consolidando-se como uma fatia importante do poder de compra no País.
São jovens que cresceram em um ambiente totalmente digital, conectado às redes sociais, aos vídeos curtos, às plataformas interativas e ao consumo rápido de informação. Eles atuam como criadores, críticos e influenciadores de tendências, valorizando autenticidade, propósito e diálogo direto com as marcas.
Esse protagonismo se reflete nos dados mais recentes sobre comportamento de compra. Um estudo da mLabs em parceria com a Conversion, sobre “A Nova Jornada de Compra”, mostra como diferentes gerações, especialmente a Gen Z, interagem com canais digitais, incluindo redes sociais, inteligência artificial e mecanismos de busca, apontando as principais tendências que devem guiar o consumo em 2026.
O levantamento revela ainda que 87% dos jovens descobrem produtos no Instagram, 80% no TikTok, e cerca de 59% dos que fazem essa descoberta nas redes acabam efetuando a compra, evidenciando o impacto direto dessas plataformas na decisão de consumo.
Nesse cenário, o marketing tradicional, baseado em campanhas padronizadas e comunicações unilaterais, perde força. O clássico funil de marketing, ferramenta criada há mais de um século para mapear o caminho do consumidor, do reconhecimento à fidelização, passa por uma transformação. A lógica linear, que conduz o público da descoberta à compra, já não funciona da mesma forma para uma geração que pesquisa, compara, interage e valida marcas em tempo real.
Para a estrategista de marketing e consultora em expansão digital Olga Britto, entender esse novo comportamento é essencial para manter a relevância. “A Geração Z não responde a discursos prontos. Ela quer participar, questionar e se sentir representada”, diz. “As marcas que insistem em fórmulas antigas acabam perdendo espaço para quem constrói relações mais transparentes e diretas.”
Segundo a especialista, as novas estratégias de venda precisam ser mais dinâmicas, colaborativas e baseadas em experiências. Em vez de apenas atrair e converter, as empresas precisam gerar valor antes mesmo da intenção de compra. A fim de criar comunidades, estimular conversas e fortalecer vínculos.
Ainda de acordo com ela, trata-se de uma geração que acompanha todo o processo de construção de marca, valoriza iniciativas sustentáveis, consome storytelling e interage com conteúdos em diferentes plataformas.
Por isso, torna-se essencial que as empresas compreendam onde estão presentes, como se posicionam e de que forma são percebidas por esse público. Caso contrário, correm o risco de serem ignoradas ou vistas apenas como mais um exemplo de marketing “batido”.






