Brasília, 20 de Maio de 2022 - 23:21

Manifestação afetiva

    Hoje (06/01), Vigia, cidade paraense e minha terra natal completa 405 anos. Para homenagear essa cidade que fica a poucos quilômetros da capital – Belém (PA), me dei ao luxo de relembrar alguns momentos vividos na nossa “Pérola do Salgado”, como também é conhecida.

Para quem não sabe, Vigia (ou Vila de Nossa Senhora de Nazareth da Vigia) foi constituída a partir da aldeia de Uruitá, do Tupi Guarani “cesto de pedras”. Morada de uma tribo de índios Tupinambás, foi fundada em 6 de janeiro de 1616 pelo português Francisco Caldeira Castelo Branco. Ali foi construído pelos colonizadores um posto fiscal, para verificar embarcações que abasteciam Belém, daí o nome.

Lá, aos 7 anos fui batizado e fiz a primeira comunhão usando trajes de Santo Antônio, meu padrinho. Depois disso, segui no catolicismo, me tornando coroinha aos 10 anos, ajudando na celebração da Santa Missa, brigando com os colegas para ficar ao lado direito do vigário Monsenhor Faustino, durante a realização da missa. Auxiliei o Sr. Moacir a badalar os sinos enquanto era aluno do Educandário N.S. das Neves. O acólito que ficava do lado direito do altar tinha a responsabilidade de bater o sino na hora da eucaristia e de levar a patena na hora da comunhão. Disso jamais esquecerei.

Foi lá que solidificou a base da minha formação. Dos 10 aos 13 anos, conheci um pouquinho de política, convivendo com o meu saudoso pai, Raimundo Vasconcelos, homem exemplar, um profissional sensacional e um político reto. De tanto bater o sino e carregar a patena, por necessidade de continuar os estudos e encontrar um colégio em que pudéssemos pagar, tornei-me seminarista do Seminário Metropolitano Nossa Senhora da Conceição, da Arquidiocese paraense. Foram três anos de internato.

As brincadeiras eram livres e encantadas: Caí no Poço, Jogo de Botão com bola de caroço de tucumã – depois de passar pelo “reino da formiga”, Fura Fura, Pião, entre tantas outras, até aprender a andar de bicicleta e de lambreta. Passeei muito pelos distritos vizinhos: Itapuá, Santa Rosa, Porto Salvo, Cumaru, Jussarateu, Penha Longa. Pegamos muitos curiós de alçapão no KM 40. Dividimos a vizinhança com pessoas maravilhosas, que marcaram muito minha infância e adolescência com as comidas que eram trocadas entre nossas cercas como bolos e comidas típicas da região.

Também foi lá que dos 15 anos, em plena Jovem Guarda, aos 22 anos que conheci e vivi o amor, conquistei queridos amigos e amigas, aprendi a dançar na sede do Pedreira Esporte Clube, no bairro Arapiranga. Lá aprendi a dirigir aos 13 anos no jipe que pertencia à prefeitura. Perturbei muito o Vicente, chefe da garagem da PMV. Levei “boas” cintadas do prefeito Vasconcelos, aprendi a tomar “birita” no primeiro porre de Cinzano durante um banho de chuva, na casa do Sr. Litó, ao lado da Padaria Modelo. Brinquei nos blocos de carnaval organizados pelo amado tio Elói.

É de lá da Vigia que tenho as melhores lembranças das festas no Uruitá, Luzeiro e Pedreira.

Meus pais, já falecidos, serviram à cidade. Ele, como farmacêutico, vereador e prefeito. Ela, uma exímia dona de casa, era católica fervorosa e fazia parte do Grupo Vicentinas.

Quando resolvi alçar novos voos, deixei essa cidade do coração para iniciar uma nova vida aqui em Brasília, cidade onde cheguei há exatos 51 anos, exatamente no dia do aniversário da Vigia. Não foi programado, mas parece que o destino ajudou um pouquinho a integrar minha história de vida, casando essas datas tão importantes para minha história. Graças a essa “coincidência”, posso comemorar hoje duas datas tão importantes, tanto aqui em Brasília como em Vigia, no Pará.


Arte criada pelo Design vigiense Adriano Coutinho.

Meus pais Raimundo Vasconcelos e Benedita Miranda Vasconcelos.

Prefeito Florival Nogueira da Silva e o Vice-Prefeito Nilson Toloza inaugurando quadra de Volei no bairro Arapiranga e abaixo os clubes que participaram da inauguração.

Eu com os amigos do Clube de Volei São Luiz de Gonzaga.

Vigia sempre comigo.

Diploma de Cidadão Honorário de Brasília.

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