Especialista em Comportamento e Neurociência explica como a antecipação das pesquisas e o uso de Inteligência Artificial estão mudando a relação do consumidor com as ofertas
A Black Friday deixou de ser um evento restrito à última sexta-feira de novembro. Para o consumidor brasileiro, a disputa pelas melhores oportunidades começa muito antes. Para 2026, essa tendência chega acompanhada de mais informação, comparação e desconfiança. Segundo levantamento da Globo Ads, 47% dos brasileiros pretendem comprar na Black Friday deste ano, mas 80% afirmam que só entram na data quando encontram preços efetivamente mais baixos do que em outros períodos.
Para Maicon Dias, CEO da Gampi Casa Criativa e especialista em comportamento e neurociência, esse movimento revela uma transformação importante na forma como as pessoas tomam decisões de compra. “O consumidor não quer mais ser impactado por uma oferta. Ele quer sentir que está fazendo uma escolha inteligente. A Black Friday ativa o desejo pela oportunidade, mas, ao mesmo tempo, aumenta o estado de vigilância. A pessoa quer aproveitar, mas não quer ser enganada”, explica.
Essa postura mais analítica ganha uma nova aliada em 2026: a Inteligência Artificial. Pesquisa da Stefanini Marketing mostra que 86% dos consumidores pretendem recorrer à IA durante a Black Friday, principalmente para comparar preços e verificar se uma promoção é realmente vantajosa.

Maicon Dias, CEO da Gampi Casa Criativa e especialista em comportamento e neurociência
Na avaliação de Maicon, isso muda também o desafio das marcas: “A criatividade continua sendo fundamental para chamar atenção, mas ela não pode parar no impacto. Depois do anúncio vem a checagem: preço, reputação, condições de pagamento, frete, avaliações e histórico. O consumidor está cada vez mais preparado para investigar antes de decidir”.
Para as empresas, portanto, o chamado “esquenta” pode ser mais importante do que a própria semana promocional. A marca precisa entrar no radar antes, construir confiança e oferecer informações que sustentem a decisão quando chegar o momento da compra. “Do ponto de vista comportamental, a Black Friday não começa quando a oferta aparece. Ela inicia quando uma marca entra na lista mental de possibilidades do consumidor. O grande desafio é conquistar esse espaço antes que ele peça para uma IA comparar as opções”, conclui o CEO.
















