Muito antes das redes sociais, a publicidade já influenciava as disputas eleitorais no Brasil. Jingles, personagens televisivos e slogans ajudaram a transformar candidatos em figuras reconhecidas nacionalmente.
Com o segundo turno das eleições de 2026 se aproximando, a Bizzu, produtora de marcas como Itaú, NotreDame e Sonho de Valsa, relembra seis momentos emblemáticos da comunicação política brasileira.
Para o CCO e diretor de cena da Bizzu, Hugo Oxe, a propaganda eleitoral mostra como a linguagem audiovisual constrói narrativas e desperta emoções. “Uma campanha precisa comunicar uma ideia de maneira simples e reconhecível. Quando imagem, música, direção e mensagem trabalham juntas, o conteúdo ganha força e pode permanecer na memória das pessoas por muitos anos”, afirma.
1. Lula Lá (1989) – O jingle que atravessou gerações
Na eleição de 1989, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva reuniu artistas como Chico Buarque, Gal Costa e Gilberto Gil. O jingle “Lula Lá”, acompanhado de videoclipe com dezenas de personalidades, tornou-se uma das peças mais lembradas da propaganda eleitoral, mesmo com a derrota do candidato.
2. Fernando Collor (1989) – A construção do caçador de marajás
Na mesma disputa, Fernando Collor construiu a imagem de candidato jovem e combativo, disposto a enfrentar privilégios no serviço público. A expressão “caçador de marajás” ganhou espaço na televisão e consolidou sua identidade política.
3. Fernando Henrique Cardoso (1994) – O Plano Real como protagonista
Em 1994, Fernando Henrique Cardoso associou sua candidatura à estabilização econômica do Plano Real. A comunicação explorou a relação entre o candidato e o combate à inflação, e FHC venceu no primeiro turno.
4. Lula (2002) – O reposicionamento do Lulinha Paz e Amor
Em 2002, após três derrotas, Lula apresentou uma comunicação mais conciliadora sob a coordenação de Duda Mendonça. A campanha marcou a expressão “Lulinha Paz e Amor” e tornou-se referência de reposicionamento de imagem.
5. Dilma Rousseff (2014) – A identidade do Coração Valente
Na reeleição de 2014, Dilma Rousseff usou “Coração Valente” como elemento central. A campanha combinou jingle, imagens da trajetória da candidata e mensagens de determinação para criar uma identidade emocional reconhecível.
6. Jair Bolsonaro (2018) – A força das redes sociais
A eleição de 2018 marcou a mudança na distribuição da propaganda. Com pouco tempo de televisão, Jair Bolsonaro usou intensamente plataformas digitais e aplicativos de mensagens. Vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos de apoiadores ganharam protagonismo.
Para o CCO e diretor de cena da Bizzu, Hugo Oxe, a evolução dessas campanhas acompanha as transformações da publicidade. “Antes, uma grande peça de televisão concentrava boa parte da mensagem. Hoje, uma campanha precisa existir em diferentes formatos, telas e linguagens”, diz ele. “O desafio criativo continua sendo construir uma ideia forte, mas a maneira de produzir e distribuir essa mensagem mudou completamente.”
















