*Por Carlos Grillo
O diretor de criação abriu o laptop do jeito habitual, ajustando o escapulário no peito,
aquela mistura de misticismo cool e “veja como eu sou sensível”.
No Chat GPT, digitou: “Chat, escreva um post autêntico, que mostre vulnerabilidade,
use metáfora simples e termine com uma reflexão.”
A IA levou 5 segundos para entregar: “Ser líder é como cuidar de um jardim: exige
paciência, propósito e regar cada pequeno sonho. Aprendi que o maior crescimento
vem das raízes invisíveis. E você, qual a sua jornada?”
Ele leu, sorriu satisfeito, deu dois tapinhas no texto e publicou no LinkedIn. A foto
mostrava ele de braços cruzados, camisa henley preta, sorrindo ao pôr do sol, com o
olhar perdido no horizonte. Aquela pose espontaneamente calculada.
Em um par de horas, choveram likes, comentários e directs derretidos:
“Incrível, obrigado por compartilhar!”
“Que lição, vou levar pra vida!”
“Precisamos de mais líderes assim.”
Ninguém desconfiou que foi um robô quem escreveu. O diretor de criação almoçou
tranquilo, com seu ego massageado, orgulhoso de sua “autenticidade”. No fim do
dia, mandou outro prompt: “Agora cria um post que pareça que saiu do coração.”
Na nova economia sentimental, até a sinceridade é terceirizada.













