Brasília, 04 de Fevereiro de 2026 - 17:26

APENAS 46% CONFIAREM NA IA, MAS 66% JÁ USAM A TECNOLOGIA NO TRABALHO

APENAS 46% CONFIAREM NA IA, MAS 66% JÁ USAM A TECNOLOGIA NO TRABALHO

Embora a Inteligência Artificial (IA) já esteja presente no cotidiano corporativo, a maioria dos líderes ainda toma decisões sobre seu uso sem o completo domínio conceitual. Uma pesquisa global conduzida pela University of Melbourne em parceria com a KPMG, com mais de 48 mil entrevistados em 47 países, mostra que 66% das pessoas utilizam IA regularmente, mas apenas 46% afirmam confiar nos sistemas inteligentes.

Embora a média global de confiança seja de 46%, esse número cai para 39% em economias avançadas. Para a CEO e fundadora da IA2YOU, Aline Lefol, e a estrategista e consultora de IA Tiene Colins, esse descompasso evidencia um problema crescente de gestão: a adoção acelerada da tecnologia sem formação adequada por parte das lideranças.

A Inteligência Artificial deixou de ser um tema restrito à área de tecnologia e passou a influenciar decisões em áreas como finanças, marketing, vendas, operações e atendimento ao cliente.

No entanto, o avanço no uso não tem sido acompanhado pelo mesmo nível de compreensão. O estudo global aponta que, no ambiente de trabalho, o uso acrítico é alto: 66% dos funcionários admitem confiar nos dados da IA sem verificar a precisão em algum nível de frequência, e 56% relatam que o uso da tecnologia já os induziu ao erro, fator que expõe empresas a riscos operacionais, financeiros e reputacionais.

Organizações lideradas por gestores com baixo letramento em IA tendem a repetir padrões já observados no mercado, como investimentos em soluções desalinhadas à estratégia, automação de processos inadequados, dependência excessiva de fornecedores e dificuldade em mensurar retorno sobre investimento.

Em contrapartida, empresas cujas lideranças compreendem os fundamentos da tecnologia conseguem direcionar a IA para ganhos concretos, como aumento de eficiência operacional, melhoria da experiência do cliente, redução de custos e suporte mais qualificado à tomada de decisão.

Segundo Aline Lefol, o cenário tem impulsionado o conceito de “nova alfabetização empresarial”. De acordo com a executiva, o letramento em IA envolve a capacidade de fazer perguntas certas, interpretar resultados gerados por sistemas inteligentes e compreender limites, riscos e impactos da tecnologia no negócio.

“Não se trata de saber programar, mas de entender onde a automação realmente agrega valor e quais decisões devem permanecer sob responsabilidade humana”, afirma.

Essa lacuna de conhecimento tem implicações diretas para a competitividade. Análises da KPMG indicam que empresas que conseguem alinhar a adoção de Inteligência Artificial à estratégia de negócio tendem a registrar ganhos relevantes em eficiência, inovação e desempenho econômico.

Já aquelas que tratam a IA apenas como ferramenta operacional ou tendência passageira enfrentam maior risco de desperdício de recursos e perda de relevância no médio e longo prazo.

Para Tiene Colins, o desafio atual é menos tecnológico e mais gerencial. A Inteligência Artificial já interfere diretamente na forma como empresas operam, decidem e competem, mas muitos líderes ainda não dominam critérios claros para avaliar riscos, estruturar governança e mensurar retorno de forma objetiva.

Na avaliação da estrategista, a IA deve ser tratada como uma competência obrigatória da liderança executiva. “Delegar integralmente esse tema às áreas técnicas enfraquece a tomada de decisão e compromete a qualidade das escolhas estratégicas”, afirma.

A discussão é aprofundada no livro “IA para Negócios – Guia prático para pequenas e médias empresas”, escrito por Aline Lefol e Tiene Colins. 

A obra apresenta uma abordagem acessível e orientada a resultados para empresários, gestores e líderes que desejam compreender a Inteligência Artificial sob a ótica estratégica, sem tecnicismo excessivo, com foco em eficiência operacional, tomada de decisão e crescimento sustentável.

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