Brasília, 04 de Fevereiro de 2026 - 19:59

AVANÇO DA IA MUDA PERFIL NO SETOR CRIATIVO, MAS NÃO REDUZ EMPREGOS

AVANÇO DA IA MUDA PERFIL NO SETOR CRIATIVO, MAS NÃO REDUZ EMPREGOS

O avanço da Inteligência Artificial irá mudar o perfil das vagas de emprego na indústria criativa brasileira, mas nem por isso irá frear o crescimento acelerado de postos de trabalho no setor nos próximos anos. Essas informações constam no estudo publicado pelo centro de pesquisas Reglab, especializado em tecnologia e regulação.

O levantamento Futuros Criativos investiga os impactos da Inteligência Artificial Generativa (IAG) sobre a economia criativa brasileira, como efeitos sobre faturamento, emprego e atividades do dia a dia. Para conduzir essa avaliação, o Reglab reuniu e analisou diferentes estudos empíricos e análises de mercado.

Para o diretor-executivo do Reglab, Pedro Henrique Ramos, as conclusões da pesquisa contrastam com a percepção majoritária de profissionais da indústria com relação ao impacto da IA. “É natural que pessoas do universo criativo tenham receios com relação ao uso das novas tecnologias”, diz. “Mas os dados produzidos nos últimos anos a respeito desse avanço não indicam que os temores estejam, de fato, se concretizando.

O levantamento mostra que o uso de IA para criação em diferentes áreas tem crescido exponencialmente desde 2022, período escolhido para o recorte do Reglab e que coincide com o surgimento do ChatGPT. A análise revela que a tecnologia tem sido adotada majoritariamente para aumento de capacidade produtiva, ou uso aumentativo, em contraste com usos automativos.

Por exemplo, no caso de criadores digitais, as IAs têm sido utilizadas para otimização de processos de edição, pesquisas de conteúdo, brainstorm e aumento de engajamento, o que eleva a produtividade no setor.

Isso não quer dizer que a IA não deixará impacto sobre o emprego: o estudo indica que funções com características mecânicas, como edição de vídeo e outras atividades mais associadas a freelancers de ambientes digitais.

Em paralelo, no entanto, o mercado deverá observar um aumento na procura por criadores e criativos que dominem a produção de conteúdo usando LLMs, assim como designers de interface que melhorem a usabilidade de ferramentas de IA.

Segundo a pesquisadora do Reglab Natália Ribeiro, uma das autoras do estudo, a percepção negativa sobre a IA pode ser atribuída, em parte, à sensação de que os ganhos de produtividade no setor podem ser apropriados de forma desigual, refletindo assimetrias estruturais já existentes no setor antes da adoção dessas tecnologias, como, por exemplo, concentração de recursos de produção e de catálogos de propriedade intelectual.

A pesquisa traz projeções que mostram que a oferta de empregos na indústria criativa deve crescer a um ritmo mais forte do que o restante da economia brasileira nos próximos anos. O movimento não é necessariamente associado ao uso de inteligências artificiais, mas indica que a mudança de perfil nas vagas criativas não bloqueia o aumento de postos de trabalho no setor.

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