A licitação do Sesc-DF para a contratação de uma agência live marketing entrou em uma fase de atenção ampliada após a apresentação de diversos recursos administrativos por empresas participantes do certame. As manifestações levantam questionamentos variados, que envolvem desde decisões de habilitação até a forma como as propostas técnicas foram avaliadas e disponibilizadas às concorrentes.
Parte dos recursos discute decisões de inabilitação relacionadas à documentação econômico-financeira, defendendo que eventuais falhas formais poderiam ter sido sanadas por meio de diligências, sem prejuízo à competitividade do processo. Outros apontam possíveis inconsistências na avaliação técnica das propostas, com críticas à distribuição de notas, à coerência entre planejamento e execução das ações e ao grau de detalhamento exigido pelo edital.
Há ainda questionamentos sobre a transparência do certame, especialmente no que diz respeito ao acesso integral às propostas técnicas. Segundo algumas empresas, a indisponibilidade completa dos materiais teria dificultado a análise comparativa e limitado o exercício pleno do direito de recurso — um ponto sensível em licitações de grande porte e alto impacto para o mercado.
É nesse cenário mais amplo, marcado por recursos com fundamentos distintos e leituras divergentes sobre os critérios do edital, que se insere o recurso apresentado pela ABIC Marketing, segunda colocada na concorrência. Diferentemente das demais manifestações, o pedido concentra-se na verificação da comprovação de experiência técnica da empresa declarada vencedora, a KM Live Agency Entertainment.
O foco do questionamento
O recurso aponta que um dos atestados apresentados pela KM Live refere-se à execução de um projeto denominado “Festival Luziânia Sustentável”, com valores expressivos declarados. No entanto, segundo a recorrente, uma consulta ao Portal da Transparência da Prefeitura de Luziânia (GO) não identificou contratos públicos que correspondessem às informações e aos montantes indicados no documento utilizado para comprovação de capacidade técnica.
Diante dessa divergência, a ABIC solicitou que o Sesc-DF realizasse uma diligência específica para que a empresa vencedora apresentasse documentos complementares capazes de confirmar que o trabalho foi efetivamente executado nos termos descritos no atestado.
A resposta da vencedora
Em suas contrarrazões, a KM Live Agency optou por não apresentar novos documentos comprobatórios relacionados ao projeto questionado. A empresa concentrou sua defesa na argumentação de que o recurso não atenderia aos requisitos formais previstos no edital e que os questionamentos apresentados representariam apenas inconformismo com o resultado da licitação.
A vencedora também sustentou a regularidade do julgamento técnico e defendeu a manutenção integral da classificação, ressaltando a autonomia da comissão avaliadora na atribuição das notas.
Um debate que vai além do caso concreto
O episódio reforça um debate recorrente no mercado de comunicação: até que ponto a administração deve aprofundar a checagem de informações quando surgem dúvidas objetivas sobre documentos apresentados em licitação. Especialistas apontam que a diligência, nesses casos, não é apenas um procedimento burocrático, mas um instrumento de segurança para o próprio processo, reduzindo riscos futuros e fortalecendo a credibilidade do certame.
Até o momento, a instituição não se manifestou publicamente sobre os recursos apresentados nem sobre a possibilidade de realização de diligências adicionais. Enquanto isso, o mercado observa atento — porque, em licitações desse porte, o que está em jogo vai além de um vencedor: é a confiança nas regras do jogo.
Sobre a licitação
Como pano de fundo dessa disputa, está um contrato inédito de live marketing do Sesc-DF, estruturado para atender uma instituição reconhecida pelo alto padrão de qualidade, consistência e relevância dos eventos que realiza ao longo do ano. Trata-se de uma conta estimada em mais de R$ 16 milhões anuais, o que eleva significativamente o nível de responsabilidade exigido da agência contratada — não apenas em termos criativos, mas também de capacidade operacional, governança e execução. Entregue em 30 de setembro, a licitação atraiu diversas agências tradicionais do mercado brasiliense, refletindo o peso estratégico do projeto. Ao final da fase de habilitação, seguiram no certame KM Live Marketing Agency Entertainment (1ª colocada), ABIC Marketing e Consultoria Promocional (2ª), Latin Promo (3ª) e Agência Kabe (4ª), enquanto Santa Fé, Promova e Ás foram inabilitadas. O cenário reforça a importância de um processo robusto e criterioso para a escolha de uma agência à altura da complexidade e da visibilidade que a conta do Sesc-DF representa para o mercado de comunicação.
O site www.fernandovasconcelos.com está à disposição dos envolvidos na licitação para quaisquer esclarecimentos.












