A jornalista, executiva e professora Regina Augusto está lançando Presente-Mais-que-Perfeito – Ensaios sobre Comunicação, Mercado e Poder. O livro organiza a leitura do setor em três eixos: Ontem, Hoje e Amanhã.
Ex-editora-chefe do Meio & Mensagem por duas décadas, ex-executiva do grupo Ogilvy e atual diretora-executiva do Cenp – Fórum de Autorregulação do Mercado Publicitário, Regina também leciona na Faap.
Na primeira parte do livro, a autora revisita mais de 30 anos de publicidade e marketing no Brasil e no exterior: a publicidade autoral, o peso das grandes agências, a concentração de audiências e a chegada de grupos internacionais.
O recorte descreve a passagem de um poder concentrado em poucos veículos, agências e anunciantes para um cenário fragmentado entre plataformas, creators, comunidades, algoritmos e consumidores.
A seção Hoje trata de um mercado que a autora chama de “metodificado”, em que a criatividade convive com a exigência de eficiência comprovada. Entre os temas estão a inteligência artificial generativa, a pulverização das audiências e a polarização.
Um dos casos analisados é o comercial da Volkswagen que reuniu, digitalmente, Elis Regina e Maria Rita: elogiado pela tecnologia e pela emoção, e criticado pelo uso da memória e pelos limites da IA.
Para Regina, a capacidade da IA de “fazer” não basta. Sem relevância cultural, a tecnologia seria um recurso vazio: ferramentas podem escalar e gerar eficiência, mas só ganham significado quando dialogam com valores, identidades e formas de vida concretas.

Na parte dedicada ao futuro, o livro recorre a Alice Pataxó, sobre território, ancestralidade e tempo; a Rosane Borges, sobre a lógica binária da cultura digital e a ampliação de narrativas; e a Luiz Antonio Simas, que associa oralidade, mistura, improviso e sincretismo a competências úteis num mundo mais homogeneizado.
A obra também discute a automação e a entrada de jovens no mercado, o desgaste da agenda de diversidade e o esvaziamento de termos como “propósito” e “disrupção”, em conversa com o linguista Caetano W. Galindo.
“O maior desafio não é tecnológico, é humano”, afirma a autora.
















