A cada edição da Copa do Mundo, empresas brasileiras enfrentam o dilema de conciliar o interesse dos funcionários pelos jogos da seleção com as necessidades operacionais do negócio.
Uma pesquisa inédita realizada pelo Infojobs mostra que, apesar da mobilização em torno do torneio, a rotina de trabalho tende a sofrer menos alterações do que se imagina. Entre os profissionais empregados, 56,2% afirmam que sua rotina não muda durante a Copa do Mundo, enquanto 37,7% dizem que isso depende dos jogos.
Quando questionados sobre a preferência para os dias em que o Brasil entra em campo, 51,2% afirmam que gostariam de trabalhar normalmente, enquanto 24,8% preferem compensar as horas posteriormente e 14,8% optariam por horários flexíveis.
Os dados também mostram que a flexibilização ainda não é uma realidade para a maioria dos trabalhadores presenciais. Mais da metade dos respondentes (50,5%) afirma que suas empresas não pretendem liberar o home office em dias de jogos da seleção brasileira.Embora o tema costume ser tratado de forma descontraída, especialistas alertam que a gestão desse período exige planejamento.
Dependendo do setor, decisões mal comunicadas podem gerar conflitos internos, aumento de ausências e impactos na produtividade.
Nos últimos anos, o avanço do trabalho híbrido ampliou as possibilidades de flexibilização. Em vez de simplesmente liberar equipes ou manter a rotina inalterada, muitas organizações passaram a adotar estratégias intermediárias, como compensação de horas, ajuste de jornadas e home office em dias específicos.
Para a diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, Patrícia Suzuki, o principal desafio está na construção de regras transparentes. “O que costuma gerar desconforto é a ausência de critérios claros ou a percepção de tratamento desigual entre áreas e equipes”, afirma.
Segundo a executiva, a Copa oferece uma oportunidade interessante para fortalecer a relação entre empresas e funcionários. “Quando existe planejamento, o período pode ser uma oportunidade para promover integração, engajamento e até fortalecer aspectos da cultura organizacional. O importante é que as decisões estejam alinhadas à realidade de cada negócio”, diz.
A discussão também reforça uma transformação mais ampla no mercado de trabalho.
Cada vez mais profissionais valorizam autonomia e flexibilidade, enquanto empresas buscam modelos capazes de equilibrar bem-estar e desempenho. O próprio levantamento mostra que uma parcela relevante dos trabalhadores prefere soluções flexíveis, como ajustes de jornada ou compensação de horas, em vez da simples dispensa durante os jogos.
Em um contexto em que retenção de talentos continua sendo prioridade para muitas organizações, datas de grande mobilização coletiva ajudam a revelar como as lideranças lidam com expectativas, comunicação e confiança. “A Copa acaba funcionando como um teste prático da maturidade das relações de trabalho dentro das empresas”, afirma Patrícia.






