Leandro Vidão da Silva, o Vidão, começou a vida de artista nas ruas de Ceilândia em 2005 e hoje leva o grafite do Distrito Federal a dois dos principais encontros culturais da Ásia.
Selecionado para o Meeting of Styles, em Zhuzhou, na China, em outubro de 2026, o muralista também recebeu convite para o Mood Indigo, na Índia. Será o primeiro mural dele fora do Brasil, que representa um marco para a arte produzida na periferia de Brasília.
Nascido e criado na Ceilândia, Vidão construiu em mais de 20 anos uma linguagem que mistura realismo, lettering wildstyle e arte pública de grande escala. Retratos expressivos, olhares, luz e sombra viraram uma marca registrada.
Os temas recorrentes são identidade, cultura brasileira, população negra, povos indígenas, infância e as histórias das periferias. “Foi nas ruas da minha cidade que comecei a experimentar as cores, desenvolver meus primeiros trabalhos e entender a arte como uma forma de expressão e transformação”, conta.
“Tenho muito orgulho de carregar o nome de Ceilândia na minha trajetória e mostrar que a arte produzida na periferia pode alcançar lugares que antes pareciam muito distantes”, diz o artista.

O mural, para ele, não pode ser só pintura em parede. “Precisa dialogar com as pessoas e deixar uma mensagem.” Por isso, Vidão se ocupa em pesquisar o espaço, a comunidade e a história do lugar antes de definir o tema.
A técnica une realismo e elementos da arte urbana, com ênfase em rostos, expressões e cores que “despertem algum sentimento em quem observa”.
O repertório de clientes mostra o alcance do trabalho, incluindo a Agência Espacial Brasileira (AEB), Governo do Distrito Federal, escolas públicas, universidades, centros culturais, prefeituras e empresas privadas. Há também projetos voltados a ambientes infantis, nos quais o artista trata o grafite como ferramenta de educação, inspiração e impacto social.
A seleção para o Meeting of Styles, um dos maiores encontros internacionais de grafite, veio da análise de portfólio e da trajetória. “É a realização de um sonho e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de representar Ceilândia, Brasília e a arte brasileira em outro continente”, diz Vidão. “Quando olho para o lugar onde comecei e vejo que agora vou pintar na China, percebo que a arte realmente pode atravessar fronteiras e transformar caminhos.”
O convite para o Mood Indigo, um dos maiores festivais culturais universitários da Ásia, ainda depende de logística da organização, mas já funciona como reconhecimento. “Receber esse convite já foi muito especial e reforçou que estamos avançando pelo caminho certo. A China será meu primeiro grande passo internacional, e espero que seja o começo de muitas outras oportunidades pelo mundo.”
Da Ceilândia ao mural na China, a história de Vidão revela alguns dos aspectos mais presentes no grafite brasileiro: a persistência, a identidade local e a capacidade de ocupar o espaço público. Agora, o grafite demonstrou o poder de desenhar na vida das pessoas um mapa internacional.













