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FIM DAS BETS TIRA 5,8% DA RECEITA DOS GRANDES CLUBES E NÃO ARRASA O FUTEBOL

Por Redação Meio e Mídia01/10/2026 · 19:11

A proibição das bets reduz uma fonte de patrocínio dos clubes, mas os números indicam que essa receita não é indispensável para o futebol brasileiro. Em 2025, as casas de apostas pagaram pelo menos R$ 784 milhões a 16 dos principais clubes, o equivalente a 5,8% da receita conjunta, de R$ 13,5 bilhões.

Os dados integram levantamento do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (IPIE/UFPR), com base nas demonstrações financeiras de 2019 a 2025.

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O estudo ganha peso após a Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa. A MP entrou em vigor em 25 de setembro e ainda será apreciada pelo Congresso.

Em 2025, direitos de TV e premiações responderam por 31% da receita, e a venda de atletas, por 29%. Patrocínio e publicidade ficaram em 17%. As bets, isoladamente, em 5,8%. A participação varia.

No Fortaleza, chegou a 11,5% da receita de 2025; no Corinthians, a 10,6%; no Palmeiras, a 7,5%; e no Flamengo, a 5,2%. Entre 2022 e 2025, a receita dos clubes cresceu 106%, e as despesas operacionais, 103%. Em 2025, dez dos 16 clubes gastaram mais do que arrecadaram.

A dívida conjunta passou de R$ 9,6 bilhões para R$ 14,8 bilhões, alta nominal de 54% e real de 34%. Dos 13 clubes com valor de patrocínio identificado, 12 terminaram 2025 mais endividados do que em 2022.

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Os dados não estabelecem relação de causa entre as bets e o endividamento, mas indicam que essa receita não reduziu as dívidas. No período, as apostas responderam por cerca de 12% do crescimento real da receita.

“Os dados estão mostrando o grande problema de endividamento das pessoas, mas o debate precisa ser ampliado para a saúde pública, a gestão dos clubes, o jogo responsável e a prevenção aos transtornos de jogo patológico. Entendemos que o futebol não vai acabar e que a medida foi necessária”, afirma o coordenador-geral do IPIE, Fernando Mezzadri.

Entre 2022 e 2025, as bets acrescentaram cerca de R$ 730 milhões às receitas, e os demais patrocinadores, cerca de R$ 714 milhões. Para os pesquisadores, a sustentabilidade depende do equilíbrio entre receitas e despesas, da diversificação dos patrocinadores e do controle da dívida.

O levantamento inclui Athletico-PR, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Ceará, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco. Os dados de dívida têm como referência os estudos anuais da Sports Value.

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