*Por Carlos Grilo
O público rejeita a publicidade.
Não quer ser interrompido.
Não quer ser convencido.
Não quer sentir que está sendo vendido.
O mercado sabe disso.
Os criativos fazem malabarismos para vencer esse desafio.
Camuflam campanhas como histórias.
Disfarçam argumentos como narrativas.
Dão um passo para trás, para que a ideia possa dar um passo adiante.
Tentam criar empatia antes de gerar desejo.
Abrir diálogo antes de apresentar produto.
Cuidam para que a marca entre em cena quando o público já estiver ouvindo e não antes. No entanto, muitas vezes, do outro lado da mesa, há um cliente ansioso. E não faltam motivos para isso.
Tem o medo de perder espaço.
O medo de não aparecer.
O medo de investir em algo que não grite seu nome desde o primeiro frame.
“Quero que a marca apareça mais.”
“Aumenta o logo.”
“E se ninguém entender que é nosso?”
O resultado é só confusão.
Uma disputa insalubre entre sedução e ansiedade.
Entre timing e imposição.
Entre criar conexão e ocupar território.
A verdade incômoda é que quanto mais cedo a marca aparece, mais rápido o público desliga. E quanto mais explícita a intenção, menor a disposição para ouvir.
A boa ideia, hoje, não é a que grita.
É a que conquista.




