Brasília, 17 de junho de 2026 - 13:45

REDES SOCIAIS SE TORNAM PRINCIPAL FONTE DE INFORMAÇÃO NO MUNDO, DIZ REUTERS

REDES SOCIAIS SE TORNAM PRINCIPAL FONTE DE INFORMAÇÃO NO MUNDO, DIZ REUTERS

Um novo relatório divulgado pelo Instituto Reuters confirma que as redes sociais se tornaram pela primeira vez a maior fonte de informação em países de todos os continentes, ao mesmo tempo em que os números mostram uma confiança maior do público nos meios tradicionais de imprensa.

A conclusão faz parte do mais recente relatório do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, ligado à Universidade de Oxford.

De acordo com a pesquisa, 54% dos entrevistados afirmaram ter utilizado redes sociais e plataformas de vídeo para acompanhar notícias na semana anterior ao levantamento. Quando incluídos os serviços de inteligência artificial, como o ChatGPT, esse índice sobe para 56%.

Os números colocam essas plataformas à frente da televisão, utilizada por 52% dos entrevistados. Também ficam à frente dos sites e aplicativos de veículos jornalísticos, que registraram 51%, e do rádio, citado por 21% dos participantes.

O estudo é considerado uma das principais referências globais para acompanhar as transformações no consumo de informação e analisou respostas de quase 100 mil pessoas em 48 países.

Pressão na receita

Além da mudança nos hábitos de consumo, o relatório mostra uma consequente dificuldade para o modelo econômico dos grandes veículos de comunicação.

Apenas 17% dos entrevistados disseram pagar por conteúdo jornalístico online. Ao mesmo tempo, grande parte dos investimentos publicitários continua sendo direcionada às gigantes da tecnologia, reduzindo a participação dos meios tradicionais neste mercado.

Essa combinação de baixa disposição para assinaturas e concentração de receitas nas plataformas digitais amplia as preocupações sobre a sustentabilidade financeira do jornalismo profissional.

A pressão tende a aumentar com o uso crescente das ferramentas de Inteligência Artificial como método para obter notícias e informações.

Cerca de 10% dos entrevistados afirmaram utilizar semanalmente assistentes de IA para acompanhar notícias, um crescimento de 3 pontos percentuais em relação aos 7% registrados em 2025.

Para os autores do estudo, o crescimento acelerado da inteligência artificial generativa representa um dos maiores desafios para empresas de mídia e formuladores de políticas públicas nos próximos anos.

A combinação entre redes sociais, vídeos curtos, criadores independentes e inteligência artificial está remodelando a comunicação em escala global, impondo novos desafios ao jornalismo tradicional e transformando a maneira como bilhões de pessoas consomem notícias.

Processo contínuo

De acordo com um dos autores do relatório, Jim Egan, o avanço das redes sociais como fonte de notícias não representa uma ruptura repentina, mas sim o resultado de uma evolução observada ao longo dos últimos anos.

Embora plataformas digitais já ocupassem a liderança em alguns mercados específicos, esta é a primeira vez que elas aparecem como principal meio de informação na média global dos países analisados.

O estudo destaca ainda que a maioria dos países onde sites e aplicativos de veículos jornalísticos continuam liderando o consumo de notícias está localizada na Europa.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, o domínio das redes sociais é ainda mais expressivo. Mais da metade dos entrevistados nessa faixa etária afirmou utilizar essas plataformas como principal fonte de informação.

O comportamento varia de acordo com cada rede social. No YouTube e no X, muitos usuários acessam diretamente as plataformas com o objetivo de acompanhar notícias.

Já no Facebook, Instagram e TikTok, o consumo informativo costuma ocorrer de forma secundária, enquanto os usuários realizam outras atividades.

A televisão mantém a liderança entre pessoas com 45 anos ou mais. Já os sites e aplicativos da mídia tradicional não aparecem como principal fonte de informação em nenhuma das faixas etárias analisadas.

O cenário reforça os desafios enfrentados pelas empresas jornalísticas, que perdem audiência e receita publicitária para as grandes plataformas digitais.

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