Brasília, 27 de Setembro de 2022 - 8:27

HISTÓRICO DA TV A CABO NO BRASIL É POSITIVO, DIZ DIRETOR

Prestes a completar dez anos de sua publicação, a Lei do SeAC está em debate – há propostas que revisam não só as regras relacionadas à TV paga, mas também as propostas para o serviço de VoD e suas variações. Nesse sentido, é importante ressaltar que o resultado do estímulo da legislação para o mercado audiovisual nacional é positivo. A Lei 12.485/11 fortaleceu a produção independente, aumentando a visibilidade das obras brasileiras frente ao público do país e proporcionando crescimento econômico, entre outros ganhos.

O Canal Brasil começou a ser desenvolvido a partir do Decreto 2.206, de 1997, que obrigava todos os prestadores de serviços de TV a cabo brasileiros a incluir na sua grade pelo menos um canal com 12 horas diárias dedicado a "obras cinematográficas e audiovisuais brasileiras de produção independente". Para viabilizar a ideia, foi criada uma associação de cineastas e produtores brasileiros chamada Grupo Canal Brasil, que formou sociedade igualitária com a Globosat, contando com nomes como Luiz Carlos Barreto, Roberto Farias, Anibal Massaini Neto, Marco Altberg e Zelito Vianna. O grupo controlava cerca de 200 filmes dos 400 do acervo inicial, sendo o restante adquirido junto a produtores independentes, que incluía aproximadamente 60 curtas-metragens e 70 clipes musicais. Atualmente, o canal faz parte do line-up de canais pagos do Grupo Globo e, desde 2018, tem André Saddy como diretor geral. O Canal Brasil é, hoje, o canal responsável pela maior parte das parcerias entre TV e cinema do país e um dos maiores do mundo, com 365 longas-metragens coproduzidos.

Em entrevista exclusiva para TELA VIVA, Alexandre Cunha (foto), diretor de programação e aquisição do Canal Brasil, reflete sobre a história do canal e sua relação com a Lei da TV Paga. "Quando colocamos na balança as conquistas trazidas pela efetivação da Lei do SeAC versus eventuais perdas para os canais de Pay TV, o saldo é amplamente positivo. Notadamente, o crescimento da produção brasileira de conteúdo independente é o fato que mais chama a atenção, principalmente sob a perspectiva da pluralidade das obras produzidas aos longo desses dez anos", explica. "Inúmeras produtoras independentes, oriundas de diversas regiões do país, foram recolocadas no mercado, outras novas produtoras surgiram para atender à demanda crescente de diversos canais por conteúdo brasileiro de qualidade. Claro que essa situação virtuosa que se criou contou com pontos chave da Lei, sobretudo no que concerne à política de cotas para conteúdo nacional independente e qualificado; além das medidas de fomento à produção de conteúdo", completa.

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