As pequenas e médias agências de publicidade devem sentir mais o impacto da reforma tributária do que outros setores, segundo a Fenapro (Federação Nacional das Agências de Publicidade).
O motivo é o peso da folha de pagamento e a menor geração de créditos tributários. A entidade lançou na segunda-feira, 14 de setembro, um novo e-book de orientação e prepara um simulador de cálculo tributário.
A Fenapro, que reúne 20 Sinapros estaduais e três delegacias regionais, afirma que a estrutura de custos do setor — concentrada em pessoal — reduz a possibilidade de créditos. Do total de 3.358 agências no País, 68,3% faturam até R$ 5 milhões; 13,1%, de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões; e 17,4%, acima de R$ 10 milhões.
São 2.907 agências de pequeno porte (86,5%), 307 de médio porte (9,2%), 98 microempresas (2,9%) e 46 grandes (1,4%).
“A reforma foi desenhada para as características gerais das empresas brasileiras, mas nas pequenas e médias agências cerca de 80% das despesas estão na equipe, parcela que não gera créditos no novo sistema”, afirma a presidente da Fenapro, Ana Celina Bueno.
A lógica da reforma prevê que gastos com crédito abatam tributos. Na publicidade, a maior parte da despesa é folha e não produz esse crédito. “Os gastos que poderão gerar créditos são parcela menor da estrutura de custos. A situação exige atenção na contratação de prestadores”, afirma o diretor de relações institucionais da Fenapro, Daniel Queiroz.
“Se o fornecedor é do Simples, o crédito da agência contratante será limitado. No MEI, não há crédito sobre os valores pagos”, diz.
O novo e-book é voltado às agências do Simples Nacional. Em setembro, elas precisam avaliar como farão o recolhimento de IBS e CBS a partir de 2027. A Fenapro recomenda que a escolha não seja automática.
“É necessário levantar os dados da empresa, avaliar custos, clientes e fornecedores e simular cenários”, diz Queiroz.
A partir de 1º de janeiro de 2027, as empresas do Simples também terão de emitir notas no novo padrão. As alíquotas definitivas de 2027 ainda não foram divulgadas. Quem optar pelo modelo híbrido em setembro terá, no início, até 30 de novembro para cancelar.
O Comitê Gestor do Simples Nacional avalia ampliar o prazo. Se não houver mudança, a opção vale pelos primeiros seis meses de 2027.
A Fenapro prepara um Simulador Tributário, calculadora interativa com guia para projetar hipóteses e um primeiro retrato do impacto da reforma.
“O Simulador Tributário é uma ferramenta pedagógica e um ponto de partida para a tomada de consciência sobre o novo recolhimento”, afirma Ana Celina Bueno. “Não existe fórmula única. O impacto depende da base de despesas e do regime atual de cada agência.”














