Brasília, 01 de Outubro de 2022 - 8:28

A VIDA NO METAVERSO

Há alguns meses essa palavra vem me chamando atenção, principalmente por não saber exatamente como transitar nesse novo ambiente.

O assunto me remeteu à minha primeira graduação; eu estudei Geografia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e estávamos em 1995 quando ouvi falar pela primeira vez em globalização e internet. Lembro que, para começar a monografia, escrevi uma frase que nunca esqueci: “A globalização é tão velha quanto Matusalém, o que mudou foi a velocidade da comunicação e dos processos”. Quando falei da velocidade foi pensando na internet. Essa frase nunca saiu da minha cabeça e quando penso em “metaverso”, ela me vem à mente.

Por mais que leia, ainda não está muito claro como viveremos nesse mundo virtual que transforma a internet em uma experiência imersiva de quatro dimensões. Criaremos um avatar, do jeito que quisermos? Teremos documentos e autorização para transitar nesse ambiente, pagaremos uma mensalidade para participar? Seja como for, não teremos mesmo muito tempo para pensar, em breve estaremos incluídos nesse ambiente, ou absolutamente obsoletos.

Me pergunto ainda, se levaremos nossa história, afetos, preferências, hábitos de consumo, condição financeira, carteira de vacinação e boletos para o mundo virtual. Ou teremos a oportunidade de criar um novo “eu”, aquele “eu idealizado” que imaginamos que seríamos enquanto éramos criança?

Enfim, saiba que o metaverso já está por aí, e não é de hoje. A literatura “cyberpunk” dos anos 80 já abordava esse universo paralelo, assim como alguns jogos dos anos 2000 a exemplo do ambiente virtual “Second Life”. No metaverso os avatares vivem, se divertem, trabalham em territórios digitais criados com streaming de vídeo, inteligência artificial, realidade virtual e aumentada, além de jogos para dispositivos móveis. Hoje parece uma viagem ou um conto de ficção científica, daqui a alguns anos será o nosso dia a dia.

Financeiramente falando, o fato é que nem no metaverso o almoço é grátis e precisaremos de recursos. Seja para acessar, seja para desenvolver o ecossistema. De olho nesse filão, investimentos trilionários em criptomoedas e tokens que dão poder de decisão ao detentor têm sido realizados. Só para se ter uma ideia do tamanho da aposta, em outubro de 2020, a gigante Facebook mudou o nome para Meta. Nesse ambiente de quatro dimensões já acontecem espetáculos, especula-se a venda de casas de shows, shoppings e outros ativos.

Para acessar? Óculos com tecnologia especial para ingressar na outra dimensão. Isso hoje, também parece caríssimo, assim como foram os aparelhos celulares na década de 90. 

Nossa próxima conversa, ainda é por aqui, quem sabe um dia, não nos esbarramos no metaverso?

*Paula Sauer é economista, especialista em educação financeira e psicologia econômica, professora de Economia Comportamental na ESPM.

Tags

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Assuntos Relacionados