
Como cidadão brasiliense por adoção, jornalista, publicitário, bacharel em Direito e ex-líder sindical, Cidadão Honorário de Brasília, comenda Medalha Brasília 60 anos, ao ler matéria da jornalista Fernanda Brigatti, na Folha de São Paulo, quero manifestar publicamente meu profundo repúdio ao cancelamento do 58º Festival de Cinema de Brasília, um dos mais importantes acontecimentos culturais da nossa cidade e do Brasil.
Sou natural de Vigia, no Estado do Pará, mas Brasília me acolheu há 56 anos. Aqui construí minha vida, minha trajetória profissional e, sobretudo, uma relação de amor e pertencimento com esta cidade que escolhi para viver.

O Festival de Cinema de Brasília chega aos seus 58 anos como patrimônio cultural de nossa Capital. Ao longo de décadas, tornou-se um espaço de encontro, reflexão, resistência, descoberta de novos talentos e valorização da produção cinematográfica brasileira. Suas sessões lotadas demonstram que existe público, interesse e, acima de tudo, uma cidade que reconhece a importância da cultura.
Por isso, não consigo aceitar que uma história de 58 anos seja interrompida por falta de patrocínio do Governo do Distrito Federal, por meio do Banco de Brasília. Um festival dessa dimensão não pode ser tratado apenas como uma despesa ou uma ação eventual de governo. É patrimônio de Brasília. É patrimônio da cultura brasileira.
É preciso compreender que investir em cultura é investir na própria identidade da cidade, na economia criativa, no turismo, na formação de público e, principalmente, na memória de gerações que cresceram acompanhando o Festival.
Brasília, que tantas vezes se orgulha de ser referência nacional, não pode permitir que uma de suas mais importantes manifestações culturais deixe de acontecer.
Não se trata apenas de defender um festival de cinema. Trata-se de defender o direito de uma cidade de preservar sua história, sua cultura e seus espaços de convivência.
Como alguém que vive em Brasília há 56 anos e que aprendeu a amar profundamente esta cidade, deixo aqui minha voz de indignação e repúdio.
Espero que o Governo do Distrito Federal reveja essa decisão e que sejam encontradas, com urgência, alternativas para conseguir R$ 3 milhões, necessário para a realização do 58º Festival de Cinema de Brasília.
Brasília não pode renunciar a sua história. A cultura não pode ser a primeira a ser sacrificada quando faltam prioridades. Um festival que resistiu por 58 anos merece respeito, compromisso e futuro.
Brasília é minha cidade por escolha e o amor que tenho por ela não posso me calar.
Após cancelar edição, Celina Leão recua e confirma Festival de Brasília.
Atualizado em: 11/08/2026, 14h15






