Um novo estudo revela que o ambiente digital brasileiro entrou em ritmo eleitoral meses antes do início oficial da campanha, e o desde já o cenário é marcado por polarização e desconfiança, o que deve acender um alerta para as empresas.
O estudo Termômetro das Redes: Eleições 2026, conduzido pela AND, ALL Reputação e Influência, em parceria com a Polis Consulting, analisa como o tema eleições tem sido discutido nas redes sociais e quais são os principais riscos e desafios para empresas e lideranças.
A partir do monitoramento de mais de 20 mil conversas digitais realizadas nos primeiros meses deste ano, a análise identificou que o debate público não está disperso, mas organizado em torno de dois grandes eixos: entusiasmo crescente pelo processo eleitoral e um clima de polarização cada vez mais intenso.
Nos recortes mais recentes, a polarização já se consolida como o principal organizador da conversa. O levantamento aponta ainda que a desconfiança política (27,5%), ceticismo dos eleitores (24,6%) e desconfiança em relação à mídia (11,5%) são os principais motores de tração das conversas e engajamento nas redes sociais.
A dinâmica dessas plataformas têm acelerado o ciclo informacional e ampliado a volatilidade das narrativas, especialmente nos canais de alta velocidade, como X (ex-Twitter), TikTok e Reddit, que concentram o maior volume de conversas sobre o tema. Nesses ambientes, conteúdos noticiosos podem ser rapidamente reinterpretados, contestados ou transformados em confronto político.
Com este cenário, o risco para as empresas não está apenas em falar sobre temas sensíveis, mas em fazê-lo sem critérios claros de validação, alinhamento interno e sem aderência ao papel institucional da organização. Associações reputacionais podem surgir antes mesmo de fatos consolidados ou posicionamentos oficiais.
“A análise de dados nos permite antecipar movimentos do debate público e entender não apenas o que está sendo dito, mas o estado emocional que sustenta essas conversas”, afirma o fundador e CEO da AND, ALL, Paulo Andreoli. “Para líderes e marcas, é preciso leitura constante, prudência estratégica e capacidade de responder com clareza sem ampliar ruídos desnecessários”, diz.
IA e fake news
Outro ponto de atenção identificado pela análise é o impacto crescente da inteligência artificial generativa e da circulação de conteúdos manipulados, como deepfakes, que ampliam o desafio de proteção reputacional em períodos de alta tensão política.
Peças enganosas ou recortes descontextualizados podem atribuir falas, imagens ou intenções inexistentes a executivos e marcas, exigindo protocolos claros de validação e resposta rápida.
Para o Chief Growth Officer da AND, ALL, Leandro Bornacki, o principal aprendizado não é sobre participar ou não do debate eleitoral, mas compreender o ambiente em que ele acontece e preparar a comunicação para responder com critério e previsibilidade.
“A comunicação em ano eleitoral precisa ser mais institucional do que opinativa, mais verificável do que reativa e mais coordenada do que espontânea”, diz. “Dados e inteligência de contexto permitem que as empresas reduzam ruídos desnecessários e tomem decisões com base em evidências, e não em pressão de rede ou percepção momentânea.”





