Brasília, 13 de Abril de 2026 - 7:57

CAMPANHA ‘VAI, BRASA’, DA NIKE, FOI REPROVADA POR 75% NAS REDES SOCIAIS

CAMPANHA ‘VAI, BRASA’, DA NIKE, FOI REPROVADA POR 75% NAS REDES SOCIAIS

A polêmica envolvendo o conceito da nova camisa da Seleção Brasileira, apresentada pela Nike na campanha ‘Vai, Brasa’, passou longe de dividir opiniões. Nas redes sociais, a repercussão mostrou um sentimento de reprovação em 75% das menções ao tema, entre os dias 21 e 25 de março, em plataformas como Instagram, Facebook e X. 

É o que mostra um levantamento feito pela doutora em Marketing e professora da FGV Lilian Carvalho, em parceria com a Polis Consulting, que analisou 180 mil posts relacionados à nova camisa desde o seu lançamento. 

Dentro desse recorte, a pesquisadora destaca que 40% dos usuários demonstraram ‘raiva’ e 32% ‘nojo’, especialmente em relação ao termo “Brasa”, uma abreviação informal para “Brasil”.

“Quem se posicionou contra o uso do “Brasa” argumenta que isso descaracteriza a tradição da Seleção e que “Brasil”, entoado nas arquibancadas, tem um peso emocional insubstituível. Já os comentários a favor apontam para uma atualização natural da linguagem digital e para o alinhamento com públicos jovens e conectados”, afirma LilianCarvalho, que estuda tendências de consumo e o comportamento social nas plataformas digitais.

De acordo com o levantamento, apenas 3% dos posts fizeram menção positiva ao tema, com sentimento de “alegria”, e os demais 22% foram classificados como neutros.

A avaliação da especialista é de que o “erro” da campanha não foi o design da camisa em si, mas sim a tentativa de atualização, sem a real identificação popular, de um dos símbolos máximos do futebol em todo o mundo.

“É justamente por mexer como uma tradição que o “Brasa” soa deslocado. Não se trata apenas de uma discussão estética ou geracional, mas de entender que certos símbolos e palavras carregam uma memória coletiva que não se atualiza por decreto de branding”, diz.

Lilian Carvalho avalia que entre os 75% das pessoas rejeitam essa mudança, o problema não é a resistência ao novo em si, e sim a percepção de que se está mexendo num dos poucos consensos emocionais do país. 

“A Nike parece ter entendido isso quando recuou do uniforme vermelho. Se insistir no “Brasa”, corre o risco de transformar um símbolo de unidade em mais um motivo de ruído, o que, para uma camisa que sempre falou por si, talvez se torne em um grande fiasco.

Segundo a professora do curso de Comunicação e Publicidade da ESPM, Karine Karam, a rejeição inicial pode indicar um desalinhamento entre a estratégia criativa e a percepção do público. “Quando se trata de uma marca com identidade consolidada, como a Seleção Brasileira, qualquer mudança visual precisa dialogar com a memória afetiva do consumidor. Caso contrário, há risco de estranhamento e rejeição”, diz.

Para o mercado esportivo e de consumo, o episódio reforça a importância de escuta ativa do público e testes de percepção antes de grandes lançamentos. Marcas que conseguem equilibrar modernização e tradição tendem a fortalecer sua conexão com diferentes gerações, enquanto mudanças percebidas como artificiais podem gerar desgaste e perda de valor simbólico.

“O desafio está em evoluir sem romper com aquilo que torna a marca reconhecível e relevante. No caso da Seleção, a camisa não é apenas um produto, é um símbolo nacional”,afirma Karine Karam.

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