Brasília, 13 de Abril de 2026 - 7:44

LIVRO DE MENDES CONTA OS PRIMÓRDIOS DA PUBLICIDADE NORTISTA

LIVRO DE MENDES CONTA OS PRIMÓRDIOS DA PUBLICIDADE NORTISTA

O publicitário paraense, Oswaldo Mendes, lança em Belém,  dia 30/03, um livro de memória da sua agência, a Mendes Comunicação. Entretanto, “O Sonho da Madison Avenue na Amazônia”, com 240 páginas, o livro pode ser considerado a história do pioneirismo da propaganda na região.

A obra começa com a história do jornalista que em 1956 migrou para a publicidade. Quando ele criou a Santos-Mendes, Belém desconhecia o que era o negócio da propaganda. Ele conta que “não existia agência de propaganda, nem escola para formar publicitários no Norte. Eu e meu amigo Avelino Henrique dos Santos, ambos bacharéis em Direito,mas sem vocação para a advocacia, tínhamos pela publicidade uma enorme admiração. No entusiasmo dos nossos 20 e poucos anos, decidimos criar a primeira empresa do gênero na região, em Belém do Pará. Madison Avenue era a rua das agências em Nova Iorque, a cara do negócio. Não precisa dizer que nós pensávamos grande.

Ele começa assim a memória da agência que em 1961 passou a ser a Mendes Publicidade, empreendendo uma das histórias de sucesso da propaganda nacional, não por ter sede na Amazônia, mas porque, efetivamente  construiu  uma trajetória  que, em cerca de 50 anos, acumulou centenas de prêmios nacionais e internacionais.

Quando a agência completou 30 anos,  Petrônio Corrêa, Presidente Nacional da Associação Brasileira de Propaganda (ABAP), enviou uma carta ao Mendes, dizendo o seguinte: “A propaganda em nosso país não passava de um sonho, quando você fundou sua Agência em Belém do Pará, juntando-se a outros idealistas espalhados pelo Brasil, na busca do propósito de fazer da nossa propaganda, este ofício digno e respeitado que é hoje, não só aqui dentro, mas também, além das nossas fronteiras.

A história de sua Agência é indiscutivelmente um considerável capítulo da história da propaganda brasileira.

Somos e seremos sempre gratos por tudo o que você e sua Agência fizeram pelo negócio da propaganda nesses 30 anos”.

Os cases de sucesso  foram, indiscutivelmente, dignos dos prêmios que a agência ganhou. Exemplos clássico foram os comerciais “Rodolfo Valentino” e “Praia”,  das óticas Belém, “que conquistaram Leões, em Cannes, o mais importante festival internacional de criatividade publicitária. O filme ‘Praia’ foi eleito pela BBC um dos melhores comerciais do mundo na década de 1980” – conta Oswaldo Mendes com orgulho, não sem razão.  O portfólio da agência acumulou 770 prêmios nacionais e internacionais.

Com a fama de “agência criativa”, a Mendes conquistou conta na Venezuela e em outras cidades do país. Seu desempenho no setor de refrigerante fez a Pepsi comprar a fábrica da Coca Cola em Belém – um acontecimento sem semelhança no mundo.

Outro case de sucesso foi o batismo de um avião norte-americano, cujo nome era impronunciável. Incorporado  à frota da Paraense Transportes Aéreos, “Hirondelle” foi o nome aceito pelo fabricante.

Com a chancela da Associação Comercial do Pará (ACP) e da Federação das Indústrias do Pará (FIEPA),  “O Sonho da Madison Aveneu na Amazônia” sai do prelo quando seu autor completa 96 anos. Na sua carreira de empresário, criou, com outro publicitário paraense, Abílio Couceiro, o Clube de Dirigentes Lojistas de Belém. Para congregar os profissionais de marketing,  Mendes fundou a seção Pará da Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil (Advb).

O livro demorou para vir a lume, e ele justifica o atraso: “Não porque eu escrevesse apenas uma lauda por dia – houve semanas e meses, que se repetiram, nos quais nada escrevi, na dúvida sobre se haveria leitores para as histórias que eu conto. Várias vezes deletei a ideia. No último cancelamento, o livro já estava pronto”.

O livro é cheio de curiosidades dos primórdios da agência – ou melhor, da propaganda no Norte. Por exemplo, Mendes conta que, para fazer controle da veiculação dos comerciais no rádio, contratou detentos do presídio de Belém, que escutavam o rádio e preenchiam formulários. Nos anos 1950, se não existia esse serviço em Belém os veículos sequer tinham, uma gerência de publicidade.

A agência criou seus próprios recursos de produção, inclusive uma tipografia. Os serviços encomendados em São Paulo ou Rio de Janeiro exigiam uma logística excepcional. Os produtos chegavam em Belém na bagagem de amigos que embarcavam nos voos que demandavam Belém. Nos anos 1960, quando os sequestros pipocaram no país, uma encomenda da Mendes acabou em Buenos Aires e outra em Havana em aviões sequestrados por guerrilheiros.

O livro é uma contribuição legítima para a memória da publicidade paraense, quiçá amazônica, em mais de meio século. Patrocinado pela ACP e FIEPA é uma homenagem justa ao empresário inovador da propaganda e da sua história de jornalista.

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