Brasília, 01 de Outubro de 2022 - 20:50

Sustentabilidade financeira da imprensa convencional e sobre o futuro da mídia convencional

Com expansão cada vez mais forte dos canais digitais e do intenso crescimento das redes sociais, o futuro da mídia convencional diante de tantos desafios está no centro do debate sobre as transformações no campo da comunicação, especialmente com a pandemia de Covid-19. Para discutir com profundidade esse assunto, a Insight Comunicação, em parceria com o BRICs Policy Center, promoveu na noite de quarta-feira (06.10), mais uma edição do Foro Inteligência. Desta vez, o tema da conversa foi "O futuro da mídia convencional no Brasil", com a presença de Cristina Tardáguila, fundadora e sócia da Agência Lupa, primeira plataforma de fact-checking do Brasil, e Pedro Doria, jornalista e cofundador do Canal do Meio, colunista de O Globo e da rádio CBN.

Doria abriu o evento fazendo uma reflexão sobre o tema. Para ele, existe uma diferença entre mídia convencional e imprensa convencional. "Esta última não vai acabar, pois o jornalismo convencional vai existir enquanto houver estado democrático de direito. "Não vou ser um jornalista diferente do que fui há 10 ou 20 anos. Já estive no comando de dois grandes veículos tradicionais e hoje sou sócio de uma startup que produz jornalismo digital, mas continuo sendo um jornalista convencional, pois o que muda é o modo de praticar a profissão", explicou.

O fundador do Canal Meio destacou, ainda, que o jornal físico é um modelo inviável, já que o papel e a tinta são caros e os custos de manutenção e logística são complexos. "Se você não tiver uma quantidade enorme de leitores ou um monopólio de atenção daquele público específico, esse modelo é impraticável. Inclusive, a maioria dos jornais tradicionais hoje tem sua versão digital, onde a marca não desaparece e ao mesmo tempo as pessoas pagam por esse conteúdo", comentou.

Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa, concordou com Doria na ideia de que é fundamental, nesse momento, debater a questão da sustentabilidade da imprensa em termos financeiros. "Não tem futuro para a mídia se essa questão não for exaustivamente discutida. A solução é difícil de achar, mas é preciso mostrar para o planeta que informação é a base de qualquer decisão e isso passa pela discussão sobre o papel que as big techs estão exercendo dentro do jornalismo crítico", observou.

Além disso, Cristina ressaltou que é muito importante o jornalista tirar o chapéu do repórter e vestir o do empreendedor. "Não dá para as faculdades ficarem produzindo dezenas de empregados do Jornalismo, não tem mais vaga, não tem mais jornada de trabalho, salário e, enquanto a gente insistir em usar o chapéu do repórter, daquele que só escreve, só apura, só edita, a gente estará condenado a um desfecho infeliz", afirmou, aconselhando que os profissionais procurem investir naquilo que fazem melhor e cresçam nesse caminho.

Os encontros promovidos pelo Foro Inteligência têm por objetivo ampliar o debate sobre assuntos estratégicos e manter aberto um canal de comunicação com os países emergentes, como Rússia, Índia, China e África do Sul, tratando de temas de amplo interesse da sociedade. São curadores do Foro, os professores Christian Lynch, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-Uerj) e editor da revista Inteligência; Paulo Esteves e Marcio Scalercio, professores do Instituto de Relações Internacionais PUC-Rio (IRI-PUC-RJ) e pesquisadores do BRICS Policy Center.

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